O retrato de Dorian Gray

Ao contrário do que normalmente ocorre nos contos de terror, aqui a história vai começar num belo dia de verão na Inglaterra vitoriana, onde o belo Dorian Gray, posando para uma pintura, serve de inspiração para o sensível artista Basil Hallward. Tudo parece bem, mas você vai perceber, ao longo da leitura, que a beleza pode ser um grande fardo.

O Retrato de Dorian Gray vai tratar sobre o quanto as influências que sofremos podem nos moldar, seja para o bem ou para o mal; e sobre como nós, seres humanos, nunca estamos plenamente satisfeitos. Dorian tinha tudo que o dinheiro podia comprar e além, pois também tinha a beleza eterna; mas será que isso bastou para ele?

Tentarei mostrar, nos parágrafos seguintes, o motivo desse personagem ser tão cativante, a ponto de ser representado em tantos filmes, livros e até mesmo seriados. Desde quando o autor britânico Oscar Wilde publicou a obra pela primeira vez, em 1890, ela vem causando muita euforia. A depender do ano, por motivos diferentes, mas isso seria uma outra história…

Oscar Wilde não criou esse magnifico personagem do nada, é claro. Ele tomou por base dois outros: o mito de Narciso, ou o auto admirador, na mitologia grega, e Fausto, uma popular lenda alemã. Recomendo bastante que você pesquise sobre esses dois personagens, pois vai melhorar muito sua experiência de leitura da obra em tela.

Tudo começou quando o jovem e vitoriano galã Dorian Gray se deixa influenciar pela advertência de Lord Henry Wotton, de que ele só tem “alguns anos para viver realmente, perfeitamente e plenamente”, devido à transitoriedade de sua beleza juvenil.

O romance se desenvolve muito em razão da beleza do personagem, que ele mesmo não sabia que tinha, até ver seu rosto gravado em uma maravilhosa pintura. Ao ver o quadro finalizado, o personagem, maravilhado, declara em alto e bom som que daria qualquer coisa para trocar de lugar com sua pintura. Como seria bom se o quadro envelhecesse, enquanto ele permanece jovem! Dorian Gray tudo por isso, até mesmo a sua alma. O ditado “tenha cuidado com o que você deseja” nunca foi tão apropriado quanto nesse romance clássico…

Esse é um daqueles livros que podemos entender ser de livre interpretação, ao menos no ponto sobre o por quê de o protagonista não envelhecer, fazendo com que acreditemos que ele seja imortal.

Imagino que essa fosse a real intenção do autor, nos fazer pensar durante todo o romance: ele vendeu mesmo a sua alma para o diabo, ou foi apenas um mal entendido?

Não preciso dizer que a partir do momento em que Dorian viu sua imagem intocada, independentemente de suas atitudes, o “foda-se” dele ficou ligado no máximo, né? O personagem, sempre com a aparência de candura, não importa o que tivesse feito, passa a se achar acima de tudo e de todos. Muitas vezes fazemos ou deixamos de fazer algumas coisas em razão das consequências que nossas atitudes podem nos causar, consequências, essas, que podem, inclusive, ser físicas. Mas e se não houvesse consequências?

Tirando aquela pequena dúvida da intenção ou não de Dorian em vender sua alma ao diabo, imaginemos que o que lhe aconteceu tenha sido um presente, sem precisar dar nada em troca. Quem entre nós não gostaria de ser eternamente jovem, atire a primeira pedra. O restante grita: “euuuuu!”

Porém, isso não foi motivo para a felicidade do jovem Dorian. No decorrer do livro, você vai perceber que ter dinheiro e ser eternamente jovem e bonito não representa a plena felicidade. Eu sei, parece loucura, nem eu acredito no que estou escrevendo.

A obra não trata apenas da polêmica de vender a alma ao diabo. Aliás, nem se fala sobre isso. Esse é um romance clássico com direito a primeiro amor, que também fala sobre sexualidade, dependendo da versão do livro que você escolher ler. Em algumas edições, a obra vai tratar sobre a homossexualidade, o que a torna muito à frente de seu tempo (lembre-se, a obra foi publicada em 1890, quando o tema não era bem visto).

Esse romance vai falar muito sobre a corrupção do ser humano, sobre como podemos ser influenciados por pessoas à nossa volta.

Uma boa parte do livro vai te fazer lembrar daqueles desenhos da Disney em que um personagem aparece com o demônio de um lado do ombro, e um anjo do outro, obrigando-o a escolher um caminho.

Nesse romance ficará claro, desde o inicio, quem é o anjo e o demônio, segundo a analogia acima. O diabinho na vida de Dorian com certeza foi Lord Henry. O anjinho ele teve vários. Contudo, o mais perceptível foi o sensível, ciumento e gentil pintor Basil Hallward. Ao longo de todo o romance esses serão os principais personagens. Depois de ler a obra, você vai achar que me esqueci de alguns. Não se engane, eu apenas não quis estragar sua experiência de leitura revelando tanto assim.

Durante boa parte da história, teremos Basil Halward tentando proteger a inocência e a ternura do jovem Dorian, seja por ciúmes, ou apenas por cuidado, enquanto Lord Henry tenta, a todo momento, mostrar-lhe o mundo e todos os seus prazeres, dizendo e apresentando tudo quanto o jovem ainda precisa experimentar.

Ao longo da história, cada vez que Dorian escolhe um caminho não tão bom, ou seja, escolhe ouvir o capetinha, sua alma vai se desfigurando. Aqui, a alma do personagem é representada por sua pintura, que, a essa altura, já está escondida dos olhos de todos, principalmente do próprio Dorian, que já não suporta ver sua imagem no quadro envelhecer da pior forma possível.

Pelo fato de Dorian Gray ser um personagem tão fascinante, ele foi representado diversas vezes, seja como uma adaptação da obra original, com todos os seus personagens, ou apenas a sua figura, apresentada sobre perspectivas diferentes, algumas não tão boas.

Se você por um acaso ainda não leu o livro, aconselho a fazer isso agora. Para adquirir essa magnífica obra, basta clicar no linque a seguir: https://amzn.to/2TZe50v

A foto acima é do filme o Retrato de Dorian Gray, de 2009. Na minha opinião, um filme muito ruim. Uma pena, porque se alguém assistir a esse filme, dificilmente terá vontade de ler o livro. O filme não conseguiu me cativar em momento algum, mas, como algumas pessoas acreditam que livros bons precisam de filmes, essa obra teve vários, apenas coloquei o mais recente. Para ser sincero, não sei dizer se os anteriores foram melhores.

Aqui temos o Dorian Gray em algumas cenas do filme A Liga Extraordinária, de 2003. Na minha opinião, a pior apresentação possível do personagem. Aliás, o filme como um todo é péssimo. Sem exageros, é tão ruim que, depois desse filme, o famosos ator escocês Sean Connery resolveu se aposentar. Se você quer assistir algo para entender melhor o personagem Dorian Gray, por favor, não escolha esse filme.

Antes de concluir a resenha, preciso indicar uma boa obra que contém o personagem de Dorian Gray. No caso, é este seriado supimpa chamado Penny Dreadful, um seriado de 2014 que você facilmente vai encontrar. São apenas 3 temporadas, infelizmente, mas muito boas. Das obras que tive a oportunidade de assistir, essa foi a que mais gostei e a que mais se aproximou do personagem. Além disso, o seriado retrata outros excelentes personagens, tais como o Dr. Victor Frankenstein; Van Helsing; Jack, o Estripador; entre outros. Quem tiver interesse no livro que inspirou o seriado, segue o linque: https://amzn.to/2HOHxoA

Voltando à obra original, posso dizer que o final do livro é bem justo. Não darei spoilers, fique tranquilo. De toda forma, preciso dizer que Oscar Wilde não tinha interesse algum em ensinar nada a ninguém com essa obra. Com isso, não leia o livro buscando fundamentos morais e explicações de como viver bem sua vida. Apenas leia e se delicie com a escrita majestosa desse autor!

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